Flagrei meu suor escorrer sem o menor esforço. Havia o vapor – que dava ao ambiente um ar de mistério e sedução. Meu corpo jovem e são transpirava incessantemente. Era eu toda suor e leveza. Não havia rede social virtual nem smartphones – essas pragas contemporâneas que nos sequestram do agora. Só havia eu com meu biquíni sentada na sauna, a evaporar por todos os poros.
“Creio que já está de bom tamanho!”, disse minha mãezinha ao notar minha lerdeza e torpor.
Era junho ou julho de quase trinta anos atrás. Não tinha que me preocupar com boletos. Fazia frio e meu corpo quase adolescente se deliciava com o vapor de eucalipto. Ao mesmo tempo todo aquele calor me fazia ter um impulso irresistível de pular na piscina do condomínio feito uma patinha feliz. Pular na piscina fria depois de derreter feito um bom chocolate ao leite no banho-maria.
Que gosto teve a sua infância? A minha foi doce na maior parte do tempo. “Batida” de groselha com gelo e leite condensado – totalmente sem álcool, antes que a patrulha do bom senso venha se horrorizar – era a praia de Santos com sua areia escura e úmida. Praia dos meus verdes anos de inocência.
Logo mais adiante, o exílio no Nordeste...
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